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29/05/2013 - Projeto ‘Brasília +50’ propõe uma nova estrutura para área metropolitana da Capital

 O Arquiteto Urbanista Gunter Kohlsdorf trabalha na elaboração de uma plataforma de desenvolvimento do Distrito Federal (e seu entorno imediato) para os próximos 50 anos e respondeu algumas perguntas sobre o projeto.

 
Veja na íntegra a entrevista.
 
Do que se trata o projeto Brasília +50?
Trata-se de um projeto sui generis, já que não teve instância que o encomendasse. Surgiu no início do ano passado (início de 2012), muito a partir de uma insatisfação dos técnicos da área de urbanismo que desenvolviam projetos sem diretrizes claras ou com diretrizes contraditórias, embasadas no Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT, que se encontrava em fase de revisão, muito mais para “regularizar” situações de fato e muito menos para lançar diretrizes de desenvolvimento da ocupação do território do DF (essa é uma apreciação que não é nossa, mas de uma ampla maioria dos urbanistas locais).
Essa insatisfação e/ou irritação (dizem que a irritação não é boa conselheira) levou a investir na elaboração de uma plataforma de desenvolvimento do Distrito Federal (e seu entorno imediato) para os próximos 50/cinquenta anos, de forma a subsidiar, internamente, os projetos em andamento, a partir de diretrizes mais consistentes e, o que é mais importante, coerentes.
 
Qual a situação atual desse projeto?
Esse projeto foi prontamente encampado pela TOPOCART que o apresentou ao SINDUSCON (Sindicato da Indústria da Construção Civil), e juntamente com a ASBRACO (Associação Brasiliense de Construtores) e ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), decidiu patrociná-lo.
 
Qual a relevância desse projeto?
A atual plataforma de desenvolvimento do Distrito Federal é obsoleta e encontra-se superada, e se faz necessário elaborar uma nova plataforma de desenvolvimento, na qual o Plano Piloto de Brasília e sua área de preservação (a bacia do Lago Paranoá) possam ser integralmente preservados e não mais pressionados pelos investidores imobiliários, que encontrariam na proposta de criação de um novo Centro Metropolitano de um novo e futuro aglomerado urbano a área ideal para gerar as suas oportunidades de negócios. A idéia é levar esta proposta para ser discutida na esfera governamental.
 
Esse novo Centro Metropolitano ocorreria aonde e a partir de que justificativas?
O novo Centro Metropolitano encontra-se proposto na divisa do DF com o estado de Goiás, à altura da “chegada/saída” da BR 040 a essa divisa. Trata-se de uma proposta territorial concreta, que dá condições de se fazer um pacto social e principalmente político, entre os governos do Distrito Federal, do estado de Goiás e Federal, a partir, por exemplo, de instituições como a SUDECO (Superintendência de desenvolvimento do Centro-Oeste). Este novo Centro Metropolitano teria o substantivo papel (que o Plano Piloto de Brasília e até cidades como Taguatinga não teriam) de alavancar o desenvolvimento econômico da região, um dos objetivos básicos da transferência da capital da República para este local. Este desenvolvimento econômico ocorreria a partir do “diálogo” entre o novo Centro Metropolitano citado e o pólo industrial de Anápolis, que passaria a ser tratado como o “Centro Metropolitano do estado de Goiás”. Nesse sentido, o território entre ambos é que receberia o complexo ferroviário e rodoviário (e aeroportuário?) planejado já faz muitas décadas entre Brasília e Goiânia, e se converteria, sem dúvidas, em um dos maiores complexos econômicos e industriais do país.
 
Como é que esse projeto foi recebido nas instâncias em que foi apresentado?
Ele foi apresentado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado Federal, em maio de 2012, e mais recentemente para o SINDUSCON, para uma platéia de arquitetos vinculados a diversas instituições do Distrito Federal – CAU-DF, IAB-DF, IPHAN-DF, CODEPLAN-GDF, UnB, SEDHAB-GDF, METRÔ-GDF, TERRACAP-GDF – a convite do SINDUSCON e, ultimamente, ao presidente da Câmara Distrital do DF, deputado Wasny de Roure. Em todas estas instâncias o projeto foi elogiado, foi apreciado como dando resposta a uma angústia generalizada com relação ao futuro do Plano Piloto de Brasília e do Distrito Federal como um todo e existiu sempre um consenso que constituiria uma sólida base para deslanchar um necessário debate em torno da questão colocada.
 
Qual o encaminhamento futuro do projeto?
A idéia é continuar ampliando o leque de possíveis atores neste processo de discussão e, na medida em que contribuições forem ocorrendo, elas serem incorporadas à proposta, de maneira a constituir um texto consolidado passível de ser publicado na forma de um livro, com patrocínio das entidades patrocinadoras.
 
Gunter Roland Kohsdorf Spiller é Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UnB. Atuou como chefe do Departamento de Urbanismo – IA da Universidade de Brasília – UNB, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano da Universidade de Brasília - UNB. Atualmente desempenha a função de Gerente Técnico no setor de urbanismo da TOPOCART Topografia Engenharia e Aerolevantamento S/S Ltda.